Vanessa Mazza


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Mitos do Amor: Só casamentos com documentação tem valor

Vanessa Mazza 23 de janeiro de 2015

Algumas pessoas ainda enxergam o casamento dentro dos parâmetros antigos, como uma união que para valer precisa ser celebrada na Igreja, perante Deus (como se a divindade só fosse aprovar a união dentro do templo) ou, pelo menos, assinada em cartório. É o famoso casamento pelas “leis de Deus e dos Homens”.

Porém, estar casado é mais um estado do ser, do que um status que você declara em planos de assistência médica, quando ingressa numa empresa ou abre uma conta no Facebook.

Casar-se com alguém é comprometer-ser com outro ser humano, elevando-o à categoria de ente familiar. Assim, ele passa a ser compreendido e aceito por seus erros e dificuldades, sendo apoiado quando sofre. Enquanto que você compartilha com ele sua vida, seus segredos e seus projetos, construindo um lar com ele, que pode ou não ter filhos, plantas, animais e outros familiares. Enfim, você escolhe um ser para ser seu amigo e amante, seu parceiro e sua testemunha.

Por isso, se trata de uma escolha muito importante, de fato.

Porém, não é um documento assinado que vai garantir que você fez a escolha certa. Na verdade, pode apenas impedir que a pessoa errada vá embora com mais facilidade, já que estes contratos tornam qualquer separação custosa e demorada (afinal, é como se você tivesse aberto uma empresa com um sócio).

Neste sentido, quem se casa de forma mais livre, que é conhecida hoje por união estável, tem a vantagem de saber que a outra pessoa permanece com ela por vontade própria, já que é muito mais simples para ela partir, caso não esteja mais se sentindo feliz na união. Porém, isso não torna a relação mais superficial. Ao contrário. Torna-a mais direta e consciente. Até porque não existe uma ameaça de retaliação (legal, familiar) caso você admita que aquele relacionamento terminou.

Não digo com isso que os casamentos legais ou tradicionais sejam errados ou ruins, mas é evidente que o que torna duas pessoas um casal é o amor e não um pedaço de papel ou uma festa. Penso até que quem mora junto há anos, não deveria achar que ainda tem a obrigação de casar formalmente para legitimar a relação ou poder chamá-la de casamento. Desse modo, termos como concubinato, amigado, namorido, amancebado, amasiado só depreciam uma união que nada tem de inferior ou menos válida e séria.

Além disso, há quem, entre os casados tradicionais, gasta mais tempo focando no evento em si, do que na própria relação. Portanto, não é se espantar que tantos noivos/noivas sejam abandonado(a)s no altar de última hora ou que casamentos terminem tão rapidamente, às vezes meses depois da festa.

O que me leva à questão da duração dos casamentos.

Na verdade, penso que ninguém deveria se sentir mal ou envergonhado caso seu casamento dure 2 anos ao invés de 20 ou 40. É normal que uma pessoa evolua e a outra não, fazendo com que o que antes era harmonioso fique incompatível. Entretanto, devido ao fato dessas pessoas terem se casado formalmente, se apresentado publicamente para centenas de familiares e amigos, jurado amor eterno e passado anos pagando prestações do evento, admitir que não funcionou pode ser bastante constrangedor.

Isso acontece porque casar publicamente/oficialmente traz um peso de obrigação ao casamento, que na prática leva muitos casais a não se separarem, mesmo dormindo em quatros separados e mantendo outros relacionamentos fora do casamento.

Seja como for, a mensagem desse texto é: antes de se preocupar com o evento ou documentação do casamento em si, procure primeiro se casar com a pessoa de corpo e alma e saiba que nada é para sempre ou garantido. O que dá valor a um casamento são os sentimentos que unem duas pessoas: a lealdade, o carinho, o respeito que mostram uma pela outra, não importa o que aconteça. Agora, se durar meses ou décadas, é importante que pelo menos tenha sido autêntico enquanto existiu, pois, de nada adianta casar com salvas públicas se for para sofrer calado dentro de um relacionamento de mentira.

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