Vanessa Mazza


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Romantizar a relação com o amante é demodê

Vanessa Mazza 23 de setembro de 2014

Quando se estuda história, se percebe o quão comum era para homens e mulheres manterem amantes nos séculos passados. Claro que havia discrição, porém, muitas vezes nem era segredo para a sociedade. Dentro do contexto da época, até fazia sentido e podia ser tolerado, pois as pessoas não se casavam por amor. Casavam para manter suas posses, para enriquecer, por segurança ou relações políticas. Assim, é compreensível que ter um amante fosse uma das formas daquela pessoa ser feliz, já que, neste caso, ela podia escolher por afinidade e não por obrigação.

Hoje em dia, porém, a necessidade de se ter uma relação extraconjugal não existe na maioria das vezes, posto que normalmente se casa por escolha própria. E, mesmo que a pessoa se sinta coagida pela família ou pelas circunstâncias a fazê-lo, legalmente ninguém pode mantê-la casada se ela não quiser. Muito menos será mal-vista ou condenada de verdade. Afinal, atualmente as pessoas se separam e se divorciam facilmente e nem é mais surpresa para ninguém.

O que leva então uma pessoa moderna a ter um amante? Acredito eu que a ideia romantizada que ainda se faz dos affairs.

Na lenda, Guinevere trai o Rei Arthur com Sir Lancelot, um amor impossível.

Na lenda, Guinevere trai o Rei Arthur com Sir Lancelot, um amor impossível.

Antigamente, o amante era “o amor da vida”, a pessoa por quem você precisava lutar para ficar junto, sua “cara metade” que a sociedade não permitia que entrasse na sua vida, por causa da classe e das posses. Então, vocês ficavam juntos às escondidas, porque o amor era forte demais e, acabavam até torcendo para que seus respectivos conjugues morressem logo para ficarem livres da prisão do casamento.

Entretanto, o que nos tempos passados era inevitável, no século XXI se torna obsoleto e algumas vezes apenas prova de baixa autoestima, medo de ficar sozinho, comodismo ou falta de respeito. Em outras palavras, se a pessoa está casada e percebeu que não ama mais seu marido ou esposa, é fundamental que se separe. Não precisa nem ter o amante como desculpa. É apenas uma questão de integridade moral.

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Sei que muitos terão uma série de motivos para não se separar, tais como:

  • Meu conjugue ameaçou se matar;
  • Meu conjugue é doente;
  • Dependo do dinheiro do meu conjugue;
  • Não quero que meus filhos sofram;
  • Não quero ser mal falado na família

Em resposta a estas situações, se seu conjugue tem ideias suicidas, vai se matar por qualquer motivo. Portanto, esta pessoa precisa de ajuda especializada, não de controle sobre a sua liberdade de ir e vir. Agora, se o conjugue é doente, existe a família dele para isso. E, mesmo que você queira cuidar pessoalmente, não precisa estar casado para tal. Por outro lado, se depende do dinheiro, crie um plano de fuga. Comece a trabalhar, volte a estudar, torne-se independente e, então, se separe. Quanto aos filhos, não se iluda. Ele sentem a infelicidade dos pais. Será mais saudável para eles verem ambos felizes e separados, que juntos, brigando ou sofrendo calados. Por fim, ser mal falado na família é algo que não se pode evitar. Nossos familiares vão sempre nos criticar, julgar, analisar, por tudo e qualquer coisa. Por isso, faça o que é certo para você e não se importe tanto com o que os outros pensam. Eles não tem real poder sobre sua vida.

Enfim, se você tiver um amante, se pergunte porque caiu nesta situação. Se a resposta for algo do estilo romântico do passado, tome cuidado. Ninguém mais vive amores impossíveis hoje em dia. Não na nossa sociedade democrática. Se esta pessoa é o amor da sua vida, fique com ela de verdade e exclusivamente. Porém, se for só um passatempo, liberte-a. Ninguém merece ficar nesta posição de esteio.

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