Vanessa Mazza


0

[RESENHA] Persuasão: Quando não se escolhe pelo coração

Vanessa Mazza 18 de setembro de 2014

Lendo recentemente o romance Persuasão (1818), da escritora inglesa Jane Austen, me deparei com a seguinte reflexão: o raciocínio do outro nem sempre é o mais adequado para nós. Primeiro porque as pessoas não são infalíveis em suas análises e julgamentos, segundo porque geralmente partem da premissa de suas próprias vidas, experiências e referências, o que, por si só, não torna suas opiniões aplicáveis para qualquer pessoa.

Cidade de Bath, famosa por suas águas termais.

Cidade de Bath, famosa por suas águas termais.

Para se entender esta reflexão, é preciso conhecer o enredo desta obra, escrita por volta de 1816, mas publicada postumamente:

Passado em grande parte na cidade de Bath, o livro conta sobre uma moça de quase trinta anos, Anne Elliot, filha de um baronete muito vaidoso e superficial que, sete anos antes, se apaixonara por um jovem pobre chamado Frederick Wentworth. Muito ambicioso, ele tinha certeza de que faria fortuna e a pede em casamento, o que ela prontamente aceita. Entretanto, a única pessoa na qual Anne confia e por quem tem real simpatia é a amiga da mãe já falecida, a viúva Lady Russell. Como esta considerou o enlace ruim, temendo que Anne passasse necessidades, a persuadiu a desistir do compromisso. Fazendo o que a amiga aconselhou, Anne quebrou seus votos e Frederick, irado e magoado partiu. Felizmente para ele, fez carreira e fortuna na Marinha, deixando Anne, literalmente, a “ver navios”. Afinal, após sermos apresentados a este cenário, os eventos que se sucedem trazem o agora renomado Capitão Wentworth de volta ao meio social de Anne. Porém, não se sabe mais se ele ainda sente algo por ela, levando-a a questionar longamente sobre as consequências de suas escolhas no passado.

A autora

A autora

É interessante, portanto, meditar sobre como esta história pode representar as tantas decisões que precisamos tomar no dia a dia. Se Anne tivesse se casado com ele, hoje teria prestígio e fortuna, mais do que sua família poderia oferecer, com o benefício de estar ao lado de quem amava. De todo modo, Frederick também poderia ter falhado e ambos estariam amargando dificuldades econômicas no presente. Seria Anne capaz de suportar a escassez, mesmo amando seu marido?

Nestas horas penso que devemos sempre ouvir nossa intuição (se não sabe como, clique aqui). Afinal, muitos caminhos nos parecem deveras favoráveis à princípio e depois simplesmente se tornam tenebrosos. Por isso, escolher pelo óbvio, não costuma ser o mais acertado. Até porque, quantos casais você não conhece que iniciaram suas vidas com tudo na mão: casa, carro, trabalho e após alguns anos faliram? E outros que não tinham nada e construíram suas vidas juntos, estando muito bem agora?

Nada é garantido, essa é a verdade. Então, fazer listas de prós e contras pode não ser muito produtivo, muito menos ficar buscando aconselhamento e aprovação de várias pessoas que, muitas vezes, tiveram experiências ruins ou não são qualificadas para julgar.

Em outras palavras, não faça como Anne, que, mesmo com a certeza do amor que tinham, optou pelo que a sociedade ditava, o que, no fim, só lhe causou sofrimento e solidão.

Capa do DVD do filme para TV inspirado no livro, lançado em 2007

Capa do DVD do filme para TV inspirado no livro, lançado em 2007

Deixe um Comentário

Login to your account

Can't remember your Password ?

Register for this site!