Vanessa Mazza


1

Ninguém gosta de conviver com ansiosos

Vanessa Mazza 4 de setembro de 2014

A ansiedade é um mal que atinge todos nós, mais ou menos, durante a vida. Até aí, não chega a ser um problema, já que é natural que tenhamos dúvidas e medos a respeito do futuro. Infelizmente, alguns acabam tomando a ansiedade como lema de existência, confundindo uma insegurança com uma qualidade individual e, por isso, nada fazendo para eliminá-la de seu dia a dia. Isso, na prática, traz muitos malefícios para este indivíduo e para todos que com ele convivam, mesmo que raramente.

Digo isso porque uma pessoa que se mantém ansiosa diariamente se torna insuportável pela angústia e instabilidade emocional que transmite. Ela nunca está quieta, nunca está relaxada, nunca está certa a respeito de nada. Se ainda todas estas “paranoias” ficassem apenas com ela, haveria menos mal. Entretanto, o desequilíbrio do ansioso transpira por sua pele, pois ele está sempre buscando confirmação e garantia de seus anseios nos outros. Não é incomum, portanto, que esta pessoa questione insistentemente as mesmas coisas, que confirme fatos já sabidos, que exija ajuda, atenção, reparo, mesmo sem necessidade e que, por causa de sua afobação, não respeite o espaço alheio, nem deixe o outro descansar ou meditar sobre as questões que apresenta.

Afinal, o ansioso compulsivo é aquele que pergunta e já quer a resposta na hora. Porém, se a escuta, logo a esquece, perguntando novamente e novamente, acreditando que numa dessas vezes ele vai se sentir seguro e relaxado, o que nunca acontece, posto que o que gera paz vem de dentro e não de fora. Existe uma história muito interessante no Tarô da Transformação de Osho que ilustra bem isso: Uma mulher em uma aldeia perde uma chave em casa e sai para buscá-la do lado de fora, na praça, na floresta. Quando indagada sobre o que faz, ela dá a resposta absurda que ninguém entende. Seus vizinhos querem saber porque ela não busca a chave onde ela perdeu, ou seja, dentro da casa dela. O mesmo acontece conosco, quando buscamos amor nos outros e não em nós, quando queremos confiança por meio do que os outros dizem e não pelo que acreditamos, quando só confiamos que somos bons ou dignos quando somos vistos assim e não pelo raciocínio íntimo de nossas próprias ações.

O fato é que o ansioso sofre, mas não consegue ajuda se se mantiver neste estado de alma, pois ninguém suporta conviver por muito tempo com alguém que não aceita a realidade, que não lida positivamente com ela e que vive em polvorosa. Chega a ser exaustivo, na verdade. Assim, o ansioso perde todo o auxílio que poderia obter, o que fortalece ainda mais sua ansiedade.

Então, se você sabe que é ansioso, veja estas reflexões:

  • Situação: Você começou um regime para emagrecer 20 quilos ou mais. Passou um mês e você eliminou só 2 ou 3. O ansioso: se pesa todos os dias, se mede, pergunta aos outros se está mais magro, quer que todos façam regime com ele, briga quando comem o que não pode na sua frente, chora e se angustia, pois era para ter perdido 10 quilos no primeiro mês. Começa a achar então que não vale a pena e volta a querer comer normalmente, ou seja, muito. Comentário: Depois de ter se mantido com peso excessivo por tanto tempo, será difícil mesmo mudar, mas é preciso começar de algum lugar. As pessoas ao redor não tem nada a ver com isso, até porque muitas delas se mantiveram magras enquanto você engordou. Portanto, você pode emagrecer, mesmo que outros continuem comendo muito. Consequência: Se não aceitar isso, as pessoas irão sabotar sua dieta de raiva por seu controle e não irão ajudá-lo com frases motivacionais, nem apoio emocional. Conselho: Compreenda que regime é algo individual e que você faz para si mesmo, não para os outros. Focalize que os resultados benéficos serão mérito seu.
  • SituaçãoVocê questionou o Tarô sobre um assunto e saiu uma previsão que vale por 3 meses. O ansioso: espera uma semana para ver se a previsão aconteceu. Caso não, retorna ao tarólogo para obter uma nova leitura. Comentário: Ora, a previsão vale por 3 meses. Este retorno seria indicado, caso após 2 meses não houvesse nenhuma modificação que mostrasse que as circunstâncias estão se encaminhando no sentido previsto. Antes disso, as respostas não mudarão. Assim, é prova de sabedoria dar tempo ao tempo e seguir os conselhos da consulta, até porque geralmente o que o tarólogo aconselha é o que o consulente tem mais dificuldade de por em prática. Além disso, é o que mais o ajudaria a suportar o tempo da previsão. Consequência: Porém, se ele não o faz e fica coagindo o tarólogo a fazer sucessivas leituras, acaba quebrando a relação de confiança que tem com o profissional, pois é como se dissesse: “não acredito no que foi lido, pois não tenho paciência em esperar ver se irá de fato se concretizar.” Conselho: Portanto, obedeça o conselho e espere o tempo adequado, antes de voltar a questionar as cartas sobre o mesmo assunto.
  • Situação: Você conheceu uma pessoa muito legal e começou um relacionamento amoroso, mas ela ainda não fez grandes demonstrações de amor. O ansioso: precisa ter certeza que é amado, mesmo que ele ainda não tenha se apaixonado de todo. Assim, começa a fazer exigências, a questionar o novo parceiro sobre coisas que deixou de fazer, tenta controlar seus passos no dia a dia, faz manipulações e ameaças. Comentário: Relacionamento novo indica que duas pessoas, até então estranhas, estão se conhecendo após algo em comum ter acendido o interesse. Portanto, só com o tempo e a convivência é que saberão se realmente combinam em todos os níveis. Porém, não se trata de treinamento, nem de entrevista de emprego. É a vida e as circunstâncias do dia a dia que mostrarão esta compatibilidade de forma natural. Consequência: Se o ansioso não permite esta espontaneidade, seu novo companheiro passa a se sentir coagido, constrangido, controlado e assustado. Ele não se sente mais à vontade para discordar, nem para ser sincero. Pode achar que a instabilidade emocional do ansioso irá se agravar, ficando frio, se ausentando e, consequentemente, se separando. Se tiver muito receio da reação do mesmo, pode simplesmente sumir, sem deixar rastro, o que leva o ansioso a pensar todas as possibilidades, menos a verdadeira – a de que não agradou e foi rejeitado. Conselho: Não estrague um relacionamento potencial colocando “o carro na frente dos bois”. Se esta for a pessoa certa, você terá uma vida para passar com ela. Então, curta cada momento e tome decisões apenas quando necessário, no momento em que acontecerem.
  • Situação: Você precisa de uma informação e já questionou a pessoa indicada. Passou uma hora e ela inda não respondeu. O ansioso: fica mandando um milhão de mensagens, por todos os meios: email, redes sociais, telefone, visitas à residência física. Comentário: Porém, é sempre educado esperar pelo menos um dia ou até uma semana, dependendo do tipo de questionamento. Só algo grave, como uma emergência, uma morte ou crise nacional exigiria uma insistência tão desmedida. Afinal, se a pessoa não responde na hora, nem no dia seguinte é porque existem algumas possibilidades: ou é muito ocupada, ou não conseguiu os meios que possibilitem uma resposta correta, ou (o que é mais improvável) está lhe ignorando ou não recebeu sua mensagem. Consequência: Assim, se no começo a pessoa questionada estaria disposta a responder de bom grado, a insistência irrita e faz com que se importe menos com o ansioso, do que antes de ele se revelar como tal. Conselho: Por isso, conquiste a boa vontade dos outros, tendo respeito e esperando o tempo adequado.
  • Situação: Você teme estar sendo traído, tenha indícios claros ou não. O ansioso: começa a vasculhar papéis, roupas e objetos do amado em busca de provas. Invade suas contas de email e redes sociais. Investiga seu celular e lê suas mensagens. Comentário: Se o ansioso encontra uma prova cabal e se separa, menos mal. É claro que se confessar que descobriu por meio da quebra da privacidade do outro, sua acusação perde parte da força moral. De todo modo, pior que isso seria permanecer com a pessoa traidora, continuando a vigiá-la, não resolvendo logo a questão. Outra possibilidade – e esta costuma acontecer mais vezes – é do ansioso não encontrar nada de cabal contra o amado, mas simplesmente permanecer no posto de espião por se sentir seguro com esta vantagem, manipulando e fazendo testes, ao invés de simplesmente ser feliz ao lado de quem ama. Consequência: Entretanto, caso o companheiro descubra esta quebra de confiança, é provável que fique tão decepcionado que um abismo se crie entre os dois. Se não for embora, pelo menos uma mancha cairá sobre o relacionamento, o que não é nada bom. Conselho: Aprenda a confiar até que se prove o contrário e respeite a privacidade de seu amado. Você não precisa saber de tudo e nem deve.
  • Situação: Você brigou com uma pessoa que gosta muito e ficou um clima estranho. O ansioso: não dá espaço para que a pessoa se acalme e reflita sobre o que aconteceu. Fica “em cima”, questionando, pedindo, implorando para que tudo volte ao normal, mas o outro ainda está tomado pela raiva e quer ficar sozinho. Comentário: É normal que hajam desentendimentos e isso não é o fim do mundo. Se você estiver certo, pode ficar tranquilo, pois é provável que o outro chegue a esta conclusão e se desculpe. Se não o fizer, não é a pessoa mais adequada para você manter por perto. Se você errou, é importante deixar os ânimos se arrefecerem até que possa se desculpar da melhor forma ou ainda compensar seu erro com dignidade. Consequência: Porém, se o ansioso não tiver paciência e o outro estava errado, este nunca o admitirá. Se o ansioso é que estava equivocado, provavelmente a pessoa será mais dura do que seria, caso houvesse um intervalo para refletir. Ofensas poderão se acumular e ainda mais mágoa de um pelo outro. Decisões irrefletidas poderão ser tomadas e algo pequeno pode ficar gigantesco. Conselho: Aguarde e confie que quando existe uma base de relacionamento sólida, nada pode quebrá-la, principalmente quando se respeita o outro.

As descrições acima são apenas alguns exemplos, pois o ansioso costuma impregnar todas as áreas de sua vida com sua atitude, seja a espiritual, a familiar, a profissional ou a econômica. O importante é visualizar como a ansiedade mais atrapalha que ajuda e como não vale a pena declarar para todos que você é ansioso. Prefira dizer que está ansioso e que busca a cura a isso, se controlando e vigiando. Desse modo, as pessoas poderão lhe apoiar ao invés de se afastarem, muitas vezes, definitivamente.

Tags deste artigo: ,

Comments (1)

  1. Pingback: Qual é seu problema? Encontre aqui a solução!

Deixe um Comentário

Login to your account

Can't remember your Password ?

Register for this site!