Vanessa Mazza


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O afastamento salutar da família

Vanessa Mazza 7 de março de 2014

O núcleo familiar é muito importante para todos nós. É onde construímos a base de quem somos hoje. Porém, tem momentos em que, para que continuemos evoluindo e nos desenvolvendo pessoalmente, é necessário nos afastarmos um pouco dele. Em parte isso tem a ver com o que foi descrito no meu texto sobre Maldição Familiar (leia aqui). Afinal, quando estamos inseridos dentro de um contexto, convivendo direto com as mesmas pessoas, sem perceber, repetimos comportamentos e crenças que, muitas vezes, não tem nada a ver conosco. Assim, vamos vivendo uma vida que parece mais o reflexo do que nossos pais já viveram e, a não ser que seja algo sofrível, podemos continuar muito comodamente sem nunca descobrirmos nossa essência. Em outras palavras, do mesmo jeito como é preciso se afastar de algo para ter uma visão completa, é igualmente salutar nos desprendermos de nossos parentes de modo a encontrarmos nossas reais aspirações e talentos.

Entretanto, este afastamento não é algo simples, pois pode ser mal-interpretado e gerar conflitos, principalmente se nossos familiares (ou mesmo nós) estão muito apegados ou dependentes de qualquer forma. Então, como se separar de um jeito que todos sejam beneficiados?

Veja algumas situações e dicas:

  • Busca por autonomia – Nossos pais e parentes mais próximos podem estar acostumados a cuidar de certas coisas para nós, como gerir contas bancárias, fazer depósitos, buscar nossa roupa na lavanderia, fazer a comida, olhar nossos filhos, levá-los no médico, fazer pequenos consertos em casa ou sair para fazer nossas compras. Todas estas atividades você poderia fazer sozinho (basta se planejar e se organizar), mas deixa na mão deles por hábito. Experimente assumir suas responsabilidades e não depender mais desse tipo de favor. Não será fácil, pois eles podem se sentir desprezados e você também não achará interessante aumentar a quantidade de atividades diárias. Porém, em longo prazo, você se sentirá mais independente e eles terão liberdade real para cuidar das coisas deles, que provavelmente ficaram em segundo plano, enquanto faziam essas coisas para você;
  • Fazer aquilo que quer – Mesmo que seja contrário às expectativas paternas, é preciso assumir quem você é e seguir seus sonhos. Pode ser que você não queira casar de branco. Pode ser que não queira ser mãe ou pai. Pode ser que queira morar em outro país ou seguir uma profissão que ninguém goste ou compreenda. É realmente lógico sacrificar tudo apenas para que seus pais fiquem contentes? Se os pais realmente amam seus filhos, vão querer que sejam felizes e não espelhos tristes de seus desejos;
  • Evitar pedir por opinião – Quando precisamos decidir algo em nossas vidas, é interessante sermos autênticos e ouvirmos nossa intuição. Entretanto, se sempre buscamos as opiniões de nossos parentes para cada passo, deixamos de treinar nossa capacidade de fazer escolhas. Além disso, perdemos o mérito pelos acertos e, caso as coisas deem errado, serão seus pais culpados pelo seu fracasso, o que não é nada bom para a manutenção da harmonia familiar;
  • Entender que você agora tem outra família – Se você está casado, deixou de ser filho(a) para se tornar marido ou esposa, pai ou mãe de outros seres. Assim, por mais que você queira fazer tudo uma coisa só, isso geralmente cria confusão, já que nem sempre as pessoas concordam entre si ou desejam as mesmas coisas. Portanto, na hora de escolher o que é melhor para seu filho ou companheiro, isso terá que vir na frente do que satisfaz mais seu pai e sua mãe. Nas discussões que houver, é preciso também defender sua família, senão, qual é o objetivo de ter esta família se ela é controlada por pessoas de fora? Impor limites também ajuda, pois seus problemas conjugais devem ser resolvidos por você, assim como a educação que você pretende dar aos seus filhos tem que ser decida pelo casal;
  • Evitar caixa 2 familiar – Muitos casais desviam dinheiro de seu núcleo familiar para resolver problemas de seus pais, irmãos, primos… Por mais que se tenha dó ou consideração, não é justo se colocar numa situação de perigo financeiro para atenuar as consequências de mau planejamento de seus parentes. Uma coisa é atender uma emergência, outra é ajudar a reformar uma casa apenas “por gosto”, comprar carros, ajudar em viagens, pagar estudos, etc. A não ser que exista uma troca financeira muito saudável, é melhor evitar, pois isso só gera expectativa. Afinal, quem garante que quando você precisar, eles vão ajudar com a mesma rapidez?

Estes exemplos servem apenas para uma reflexão sobre nossa dependência emocional e não visam criar um abismo entre as famílias e sim ajudar a estabelecer uma convivência mais correta, igualitária, na qual cada um saiba seu papel e ninguém abuse de ninguém. É realmente difícil assumir sua vida, mas é assim que se cresce mais como indivíduo. Afinal, se você estiver sempre dependendo de favores, cobrindo contas de familiares, defendendo seus pais, ao invés de lutar pela sua família e cada passo que der for controlado e vistoriado por eles, você não pode ser chamado de adulto. Você ainda é um adolescente e como tal, ainda não é livre.

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