Vanessa Mazza


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Não viva a vida do outro como se fosse sua

Vanessa Mazza 10 de fevereiro de 2014

Nem sempre isso é algo evidente, entretanto, muitos de nós, principalmente os controladores vivem mais a vida de outras pessoas, que as suas próprias. Isso provavelmente se dá quando temos medo de arriscar, de enfrentar o novo ou ainda de sermos verdadeiramente felizes (principalmente quando fomos ensinados que o sofrimento é o jeito “certo” de viver). Assim, começamos a depender das pessoas para termos conforto ou estabilidade emocional, o que nos leva, inevitavelmente a controlá-las e vigiá-las. Afinal, se você precisa que alguém faça determinadas coisas para você se sentir bem, tal pessoa passa a não ter mais liberdade de ir e vir. Portanto, qualquer coisa que ela faça ou diga que saia do esperado, gerará frustração e raiva em você. Não é a toa que a manipulação passará a ser usada como artifício comum e constante para manter tudo dentro da “normalidade”.

Para compreender isso melhor, veja alguns exemplos:

  1. Pais que vivem a vida dos filhos: quando a mãe ou o pai não se realizam profissional ou emocionalmente, poderão ter a tendência a viver suas fantasias por meio de sua prole. Por isso, é muito comum que os filhos sigam profissões que seus pais não tiveram capacidade ou coragem de seguir. Porém, geralmente isso causa sofrimento e gera profissionais ruins, prejudicando a sociedade de modo geral. Ou seja, ninguém ganha: os pais continuam não sendo bem-sucedidos no que queriam; os filhos ficam frustrados por se sentirem obrigados a continuar sendo médicos, engenheiros, advogados, sem gostarem do que fazem e a sociedade perde por não usufruírem de serviços de qualidade. Afinal, quem não gosta do que faz, não vai além do básico. E o pior é que os pais ainda acabam recebendo o ressentimento de seus filhos de volta, por não terem dado apoio nas profissões que realmente queriam ter seguido;
  2. Homens e mulheres que ficam “em cima” de seus parceiros: se a pessoa é insegura e por qualquer motivo não vive a própria vida, seja porque não quer ficar sozinha, seja por receio do que “os outros vão falar”, perde seu tempo criticando e fazendo exigências de seu parceiro. Então, a mulher que ainda acredita que o homem deve ser o provedor, ficará de olho na evolução profissional de seu marido/namorado. Até porque ela quer casar, comprar uma casa, colocar os filhos nas melhores escolas, viajar com conforto. É claro que não existe problema em desejar estas coisas. Porém, muitas mulheres tem capacidade para ganhar bem e terem sucesso. Por que deveriam diminuir seu potencial para realizar um ideal (machista) que não faz mais sentido na atualidade? Alguns homens também vigiam suas mulheres para que não se vistam de determinada forma ou sejam autênticas, caso isso vá contra o que consideram correto. De um jeito ou de outro, existe a morte do indivíduo e a abertura de portas para a vingança (mesmo que velada) e a mágoa;
  3. Fãs que vivem a vida de seus ídolos: admirar o trabalho de alguém é muito bom, pois nos motiva em vários sentidos. Porém, quando ficamos tão vidrados em nosso ídolo ao ponto de saber tudo o que acontece na vida dele, nos deixando em segundo plano, o problema se instala. Em outras palavras, uma mulher poderá ficar sonhando com seu homem perfeito, sem nunca se dedicar à melhoria da sua personalidade, o que a ajudaria a ter relacionamentos mais satisfatórios, do que ficar apenas projetando seu ideal sobre seus pretendentes. Já um homem que foca demais em seu time de futebol, por exemplo, pode lutar com motivação e determinação para ajudar seu clube a pagar suas contas e ser totalmente negligente com o sustento de seus filhos.

Desse modo, antes de começar a criticar os outros por estarem fazendo isso ou aquilo, se magoando porque não preencheram suas expectativas, lembre-se que existe alguém mais importante na sua vida que está sendo deixado de lado: você.

E o que isso significa na prática? Significa:

  • Ir atrás do que você quer ao invés de esperar o outro resolver para você;
  • Se responsabilizar por seus erros e fracassos ao invés de achar que o outro vai lhe compensar ou assumir;
  • Prestar mais atenção no que você está fazendo, pensando e sentindo, deixando o outro curtir a própria privacidade;
  • Analisar suas questões internas, se modificando, ao invés de se dedicar 100% à melhora do outro, inclusive quando não solicitado;
  • Deixar de carregar a responsabilidade por problemas que não são seus, mas que você faz apenas para usar como forma de manipulação depois;

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