Vanessa Mazza


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Eu na Mídia: Os mistérios do Tarô, um jogo restrito à nobreza

Vanessa Mazza 10 de dezembro de 2013

Publicado em Jornal O Fluminense (http://www.ofluminense.com.br)

Surgido na Idade Média, por volta do ano de 1400, no norte da Itália, os jogos de cartas chegaram à Europa trazidos da Pérsia. O tarô, em especial, era um jogo restrito à nobreza. Uma das hipóteses mais aceitas para a criação do oráculo seria a de que, gradualmente, cartas trunfos foram adicionadas ao baralho de naipe já existente. O uso divinatório ganhou força a partir do século XVIII, embora saiba-se que seu uso para esta função tenha registros desde 1540.

Em sua estrutura clássica, o tarô é composto de 78 cartas, sendo 22 arcanos maiores, com arquétipos que revelam estado de ideias e possibilidades futuras, e 56 arcanos menores, que expressam resultados, distribuídos em quatro naipes básicos: ouros, espadas, paus e copas. Existem diversos métodos de leitura e interpretação, onde o baralho é usado como um instrumento para desvendar questões inconscientes e fazer previsões sobre o futuro.

O baralho mais próximo dessa origem é o tarô de Marselha, que por essa razão é conhecido como clássico. Já no século XX, estudiosos ingleses decidem modernizá-lo, por assim dizer, criando o baralho de Rider Waite, que hoje é o mais conhecido no mundo em função do místico americano Arthur Edward Waite.

Aleister Crowley nasceu na Inglaterra em 1875 e foi um dos mais famosos ocultistas de todos os tempos. Fundador de doutrinas e ordens místicas, cultuado escritor de livros sobre magia, era uma figura controversa, que esteve presente nas principais ordens esotéricas do século XX. Raul Seixas, Beatles e Black Sabbath estão entre os nomes dos admiradores famosos das ideias de Crowley.

Um dos grandes empreendimentos de Aleister Crowley foi a criação do Thoth tarô, um baralho que segue a estrutura clássica de arcanos, mas inova com ilustrações e palavras-chave em todas as lâminas. O trabalho contou com a parceria fundamental de Lady Frieda Harris, artista plástica de família aristocrática, que enfrentou a desaprovação de todos para seguir Crowley em suas ideias, e idealizar e ilustrar aquele que é considerado por muitos místicos o mais perfeito dos tarôs.

Previsões

Há 30 anos, todos os dias, a taróloga Rosane Ramos atende seus clientes, na maioria mulheres, para fazer previsões e dar conselhos sobre as tendências que o oráculo revela. Rosane é pedagoga e psicóloga, já trabalhou com terapia de grupos, mas seu talento para ler o tarô foi o que sempre chamou atenção.

Ela explica que o oráculo serve para orientar e ajudar na tomada de atitudes e que muitos dos seus clientes voltam para agradecer os conselhos recebidos. Consciência, respeito e seriedade são características fundamentais de um tarólogo, segundo ela, que confessa, ainda, que sempre se interessou pelo lado oculto da vida, tendo conhecido outros saberes como reiki, astrologia, cabala e wicca.

A taróloga se diz apenas um canal para as mensagens que traz e que costuma esquecer nomes e fisionomias depois das consultas. No passado, ela chegou a atender 14 pessoas por dia, mas hoje limita-se a quatro atendimentos diários, que além da consulta, dependendo do cliente, Rosane ainda ensina alguns banhos e poções que podem ajudar, mas ressalta: “Se a pessoa não mudar, nada muda”.

Modernidade: atendimento on-line

As previsões pela internet também vêm conquistando muitos adeptos. E a taróloga Vanessa Mazza decidiu apostar neste novo conceito, que apresenta diversas possibilidades de atendimento on-line. Ela conta que tinha 13 anos quando sua mãe, que sempre se interessou por cartomancia, comprou um tarô para estudar sem muito sucesso. Curiosa, ela começou a mexer com as cartas.

Suas leituras passaram a chamar a atenção dos mais próximos e ela acabou ganhando o título de “taróloga da família”. Quando a pergunta é sobre as consultas pela internet, Vanessa responde com propriedade que o mundo se modernizou e, com isso, coisas que antes fazíamos presencialmente, hoje transferimos para o universo on-line, como ir ao banco, fazer compras no supermercado, comprar ingressos para o cinema e ir a um tarólogo.

“O meio on-line possibilita que eu atenda pessoas que estão muito distantes de mim, inclusive em outros países. Também facilita a vida de gente muito ocupada. Fora que, nem sempre você precisa de uma consulta completa, de mais de uma hora. Quanto à desvantagem, ela explica que talvez seja apenas a questão da experiência sensorial, de estar frente a frente com o tarólogo, de manipular as cartas e ver o jogo montado em cima de uma mesa”, afirma.

Mas ela faz questão de reforçar e defende que, em termos de eficiência e de resultados, a consulta presencial e a on-line são iguais.

“O tarô é uma ferramenta maravilhosa de autoconhecimento e vai muito além de apenas mostrar o futuro. As cartas, através de seu simbolismo, podem explicar como a pessoa chegou até aquele momento, o que gerou seus problemas, além de dar sugestões de saídas possíveis para que as pessoas se libertem do que as incomoda e ainda obtenham o melhor de sua situação. Portanto, pode-se dizer que o tarô tanto revela informações quanto dá alertas, aconselhamentos e orientações”, explica Vanessa. “Qualquer pessoa pode aprender a ler cartas, basta gostar e se interessar de fato, já que, como qualquer outra atividade, exige dedicação, prática, estudo e responsabilidade”, conclui.

Ulisses Dávila

O Fluminense

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  1. Pingback: Você tem medo do Tarô?

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