Vanessa Mazza


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Amizade virtual pode ser real?

Vanessa Mazza 19 de julho de 2013

De uns anos para cá, a internet se tornou parte integrante de nossas vidas, transformando e facilitando nossa rotina e até mesmo redefinindo a forma de comunicação entre as pessoas. Inclusive o mundo online pode resgatar velhas amizades e propiciar uma interação mais simples entre desconhecidos. Assim, não é a toa que os recentes protestos pelas ruas do Brasil tenham sido uma materialização evidente dessa nova força de expressão.

Desse modo, o que antes era apenas uma ferramenta útil que usávamos ocasionalmente para fins específicos no nosso dia a dia, tornou-se um novo meio ambiente no qual replicamos virtualmente tudo aquilo que antigamente fazíamos apenas no “mundo real”.

O curioso disso é que, com a melhora tecnológica, nosso mundo conhecido se expandiu. Afinal, ao permanecermos conectados dia e noite, por meio de vários dispositivos, acabamos tendo autonomia e liberdade para estarmos em contato com este outro mundo (e quem nele estiver logado) a qualquer hora – coisa antes impraticável.

Por isso, não é de se estranhar que, por estarmos todos conectados, seja fácil acompanhar o dia a dia de um familiar, um amigo ou um namorado através dos inúmeros aplicativos, extensões e programas que instalamos em nossos aparelhos.

Além disso, as redes sociais nasceram como uma forma de integrar pessoas. Essas mídias permitem que amizades continuem se renovando constantemente e que a gente conheça pessoas as quais nunca teríamos acesso antes. Por outro lado, as redes também abriram espaço para uma série de abusos e inconvenientes que antes não tínhamos nas nossas relações pré-internet.

Veja alguns deles:

Comodismo – Quando ficamos online direto, seja por inércia ou por causa do trabalho, acabamos perdendo o hábito de nos encontrarmos com nossos amigos para bater papo, fazer um passeio ou uma viagem. Muitas vezes acabamos desistindo dessas interações ao vivo por causa do dinheiro, do trânsito, do tempo e também porque ao estarmos acompanhando as novidades de nossos amigos diariamente, tememos que não haja muito para conversar quando estivermos cara a cara com eles.

Aparência – Tem vezes que queremos parecer melhor do que somos ou estamos e isso nos leva a não ser totalmente verdadeiros nas nossas interações virtuais. Na vida real isso seria mais difícil de representar, pois não há photoshop para melhorar nossa aparência, e quando estamos mal é algo mais evidente de perceber. Afinal, na internet podemos nos fingir que estamos desconectados ou colocar frases felizes nas redes sociais, por exemplo.

Invasão de privacidade – A facilidade em bisbilhotar a vida dos outros, proporcionada pelas novas tecnologias, nos faz invadir a privacidade alheia com mais frequência. Com isso, não damos espaço para que nossos amigos possam superar uma crise sem nossa intervenção e conhecimento, ou que saiam com outros amigos, sem que fiquemos ofendidos por não termos sido convidados. Afinal, na vida pré-internet as pessoas iam e vinham e, a não ser que estivéssemos no mesmo lugar que elas, dificilmente saberíamos.

Menos segurança – Na internet é mais fácil sermos manipulados ou cairmos em golpes. De alguma forma, podemos ser suscetíveis a acreditar no que outra pessoa está dizendo, só pela convicção que ela tem ao conversar conosco ou por supostas provas que nos mandam. Porém, quantos casos não sabemos de homens que se faziam de mulheres na rede, de estrangeiros que na verdade moravam perto de nós, de pessoas solteiras que eram casadas, de adolescentes que no fundo eram senhores de meia idade, etc?

Por isso, se você vive na internet e suas amizades estão quase 100% nela, veja algumas dicas:

Procure se encontrar periodicamente com seus amigos virtuais. Afinal, o contato físico, como um abraço, a troca de energia e o som do riso continuam sendo grandes fontes de satisfação entre pessoas que se gostam.

Além disso, algumas pessoas virtualmente passam a impressão de serem de uma forma e, quando você efetivamente as conhece, são de outra. Ter noção de como a pessoa é nos dois mundos – real e virtual – ajuda a construir uma imagem coerente dela, lhe ajudando a decidir se merece continuar sua amiga ou não.

Tenha cuidado ao passar informações sigilosas para pessoas totalmente desconhecidas, mesmo que já estejam conversando há algum tempo. Saber utilizar bem os recursos das redes sociais lhe ajuda a se situar melhor a respeito de quem deve ou não integrar sua lista. Assim, sempre investigue um pouco as pessoas, mas sem invadir a privacidade delas, claro.

Não se sinta dono de seus amigos, só porque sabe onde e com quem estão, muito menos faça exigências. Amizade é algo que deve fluir espontaneamente, sendo um movimento recíproco. Se você notar que não tem sido mais assim, então repense a amizade em si, ao invés de tentar manipulá-la.

Procure também manter o mesmo nível de educação e respeito que tem com as pessoas fora da internet. Por estarmos todos no meio virtual, podemos correr o risco de sermos grosseiros ou de incomodarmos os outros, sem perceber. Ou seja, status de ocupado, pode mesmo significar que a pessoa não pode conversar com você.

Vamos aproveitar, portanto, as facilidades da internet para fazermos mais amigos e também para continuar mantendo os de longa data perto de nós, sem, com isso, extrapolar limites ou exagerar na dose. Afinal, o mundo virtual, mesmo fantástico como é, não pode ser um substituto da interação pessoal.

Texto publicado no Personare: http://www.personare.com.br/vanessa-mazza-8

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