Vanessa Mazza


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Perdemos a noção do tempo

Vanessa Mazza 12 de junho de 2013

A noção de tempo de nossa época, devido à modernidade e às novas tecnologias, mudou e muito, nos fazendo não tolerar pequenos atrasos que antes eram normais (como esperar uma página de internet carregar) ou ainda nos fazendo ter uma impaciência e uma ansiedade exageradas e fora de lugar. Então, ao invés de tornar nossa vida mais fácil, muitas coisas, que nasceram para nos ajudar, acabam criando grandes vazios existenciais, pois tudo fica muito artificial, óbvio, superficial.

Veja abaixo algumas coisas que podemos fazer para resgatar a noção do tempo real:

Trocar de canais sem usar o controle remoto: Isso nos faz ter que pensar mais se aquele programa nos agrada ou não, ao invés de ficar zapeando loucamente, chegando ao fim com a sensação de que nada presta na TV;

– Preparar as refeições, ao invés de comprar pronto: Além de nos ajudar a termos mais habilidade na cozinha, iremos comer menos, de forma mais saudável e podemos ainda estreitar relações com nosso amado, com filhos, parente e amigos, que podemos convidar para nos ajudar;

– Ir a pé para lugares relativos próximos, ao invés de pegar o carro para tudo: andar é mais lento, portanto, muitos detalhes das ruas, como estabelecimentos, novidades, curiosidades surgirão aos nossos olhos, o que é mais interessante do que ver apenas, ao canto dos olhos, um borrão de cores criado pela velocidade;

– Tirar fotos com filme ao invés de digital: Você não precisa fazer isso sempre, pois o custo é maior, mas de vez em quando, é interessante se permitir escolher com calma cada click, o que torna a cena muito mais especial, e depois esperar para ver o resultado;

– Escrever uma carta e postá-la no correio: Antigamente, quando se escrevia a um amigo, mesmo que ambos fossem rápidos na resposta, poderia levar uma semana entre o envio e o recebimento. Hoje, um email pode ser respondido em segundos e muitas vezes sem a devida reflexão, o que nos faz amar a função Desfazer do Gmail (eu particularmente agradeço por ela!);

– Dar um presente artesanal ou pensado para alguém ao invés de dar vale-presentes ou mesmo dinheiro: Presentear alguém é algo que implica cuidado, interesse, simpatia. Porém, alguns de nós acaba não tendo tempo ou mesmo vontade de ficar pensando no que a pessoa gosta, no que é importante para ela neste momento, etc e damos aquilo que está à mão. Creia-me, dar dinheiro não tem o mesmo valor que um presente significativo, mesmo que seu valor monetário seja menor;

– Plantar seu próprio alimento: Saber quanto tempo leva para que uma planta nasça, cresça e se desenvolva, nos faz respeitar mais a Natureza, desperdiçando menos. Assim, mesmo que sejam apenas alguns vasinhos de ervas, tenha algo vivo dentro de casa e acompanhe seu crescimento;

– Coma frutas e legumes da estação: Mesmo que hoje a tecnologia permita que se possa comer de tudo o ano todo, é mais gostoso ter à mesa aquilo que a Natureza proveu espontaneamente. Além dos alimentos serem mais ricos nutricionalmente, existe uma lógica para que eles estejam ativos naquele momento. Fora que, acompanhar as estações o leva a saborear mais quando a época de cada fruta ou legume favorito chega, tirando aquele sabor amargo de obviedade que paira no ar;

– Levar sua roupa para um alfaiate ou costureira fazer: Se por um lado a moda se democratizou, por outro, todo mudo corre o risco de se vestir igual a muita gente. Além disso, muitas vezes tem que se sujeitar a peças que não se encaixam perfeitamente em seu corpo. Por isso, que tal usar a criatividade e deixar que profissionais o vistam exatamente do jeito como gostaria? Leva mais tempo? Leva. Porém, todo o processo pode ser bastante empolgante;

– Demore um pouco para se envolver amorosamente com alguém: Hoje a pessoa se conhece, logo já se beija, fica “enrolada” e o namoro morre antes de acontecer. Por que não conhecer melhor a pessoa e voltar a sentir todo aquele excitamento anterior ao relacionamento, quando não sabemos o que irá acontecer, quando tudo é novo e fresco? Muita gente não faz isso, pois tem medo de perder a oportunidade e ficar sozinho. Porém, quando é para ser, a outra pessoa não irá sumir se você for mais devagar;

– Não jogue fora aquilo que pode ser reutilizado de alguma forma: Nós jogamos fora de tudo, sejam talos de verduras que poderíamos congelar para enriquecer uma sopa, arroz velho que poderia se tornar um bolinho, plásticos e latas, que virariam porta-trecos ou de canetas e remédios, caixas de papelão que poderiam ser usadas na decoração, entre tantas outros objetos e pagamos preços caríssimos pelos mesmos itens, que não necessariamente têm mais qualidade, apenas porque são “novos”;

– Não tomar uma decisão importante atrás da outra: Nessa pressa de ganhar nosso primeiro milhão antes dos 30, decidimos nossa faculdade sem termos certeza de que é aquilo que queremos, emendamos um estágio ou uma pós, sem absorvermos direito o que aprendemos e depois trabalhamos direto e reto, sem intervalos, quase sem férias. Outro caso é quando casamos e já temos filhos logo em seguida, sem desfrutarmos da relação a dois, sem nos habituarmos a viver com outra pessoa sob o mesmo teto. Antes fazer um intervalo significativo que nos ajude a decidir melhor, do que decidir com rapidez, gerando resultados sofríveis;

– Ler textos e ouvir músicas até o final: Nossa impaciência é tanta que já não lemos mais todas as palavras de um texto, nem conseguimos ouvir uma canção até seu último acorde. Não é à toa que tudo na internet é mais sucinto (vide o Twitter) e as músicas tem menos de 3 minutos ou são feitas de refrões que se repetem continuamente;

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