Vanessa Mazza


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O lado sombrio do perdão

Vanessa Mazza 14 de fevereiro de 2013

É muito comum que quando alguém nos faça mal ou nos deseje mal, fiquemos desconfortáveis, chateados ou mesmo com raiva dessa pessoa, ao ponto até de fazer o mesmo que ela fez, que é dirigir o mal de volta.

Alega-se que se alguém nos prejudicou, para que seja perdoado, deva merecê-lo. Porém, se formos a fundo no conceito de perdão, iremos perceber que o mesmo está condicionado a quem sofreu a ofensa e não a quem a cometeu. Pois, você pode perdoar do jeito que quiser a outra pessoa e mesmo assim, ela continuar sentindo culpa ou o contrário, que fez muito bem em lhe ferir. Por outro lado, quando você, que se sentiu atacado, perdoa, automaticamente se livra de qualquer ligação emocional ou espiritual com este individuo. Você simplesmente se fortalece contra ele, se torna indiferente aos seus ataques e, melhor, também aceita a realidade de que, em primeiro lugar, foi você quem atraiu aquele mal. Afinal, de todas as pessoas que poderiam ter sido escolhidas, por que logo você?

É interessante notar que as vítimas ficam sempre surpresas quando um inconveniente as atinge, como se tivessem tanta superioridade moral que deveriam ser intocáveis. Porém, não o são, obviamente, já que tão logo alguém aparece para atrapalhar, se colocam prontamente no direito de devolver o mal, ao invés de pensarem em devolver o bem. Para piorar, também concedem o perdão de forma autoritária e desdenhosa como as famosas indulgências da Idade Média, quando os padres vendiam o perdão do Papa a troco de algumas moedas.

Perdão com arrogância não é perdão, pois não cabe a nós decidir se o outro é merecedor do mesmo. Se alguém comete um crime, é punido pelas leis do homem e é pela execução dessas leis que devemos lutar. Quanto ao perdão em si, deve vir do coração e deve se dirigir primeiramente a nós, por termos merecido de alguma forma aquilo (pois toda vítima se martiriza por ter sido atacada) e depois à pessoa que foi instrumento do nosso sofrimento, para que também se liberte de crenças e atitudes negativas que a manteriam nesse caminho de mal ao próximo.

Como ninguém se beneficia com o mal, melhor perdoar e seguir em frente do que descer ao nível de nossos algozes e fazer com eles aquilo que tanto criticamos. No fim, o que nos salva mesmo do mal é o amor. Sem ele, somos frágeis e o perdão, que deveria ser natural, se torna um luxo concedido a poucos privilegiados.

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