Vanessa Mazza


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Dia das Bruxas, Furacão Sandy e Amuletos

Vanessa Mazza 31 de outubro de 2012

Durante a famosa festa de Halloween, que acontece hoje, me inclino a pensar na sua razão primeira de existir, que vai muito além de comer doces ou se fantasiar. O temor aos espíritos do mal e ao que podiam conosco fazer, levou muitas gerações da Humanidade a criar rituais e artifícios para se proteger, ou pelo menos, acreditar que estava segura contra o mal.

Interessantemente, o poder da nossa mente é o que confere o grau de eficácia de nossos talismãs. Assim, um amuleto da sorte só nos traz benefícios quando nele acreditamos. Isso é o que faz tanto as simpatias quanto as macumbas/amarrações funcionarem. No sentido inverso, o mesmo se verifica. Se estamos constantemente amedrontados e na suspeita de algo pior, tal pode se manifestar e sua força será proporcional à intensidade de nossos próprios medos.

Um exemplo disso foi o furacão Sandy que vem devastando o hemisfério norte nos últimos dias, com especial intensidade nos Estados Unidos e em cidades emblemáticas como Nova York. Afinal, é quase impossível não associar as imagens de telejornais com os inúmeros filmes-catástrofes já produzidos por Hollywood, cuja área geralmente atingida é mesma da atual realidade.

O que seria este furacão senão a manifestação de um pensamento negativo intenso? Muitas pessoas enxergam eventos assim como surgidos do acaso ou ainda como simples atos da Natureza. De todo modo, não há como evitar associar Dia das Bruxas com este evento num lugar que já foi destruído tantas vezes na nossa imaginação. É como se todos, globalmente até, estivessem, sem perceber, esperando pelo dia que Nova York, por exemplo, sucumbisse frente a algum evento catastrófico.

Apesar de Sandy ter sido cruel, ela ainda não atingiu as expectativas mais sombrias, já que a Estátua da Liberdade permanece lá e a quantidade de mortos é pequena. Mesmo assim, há que se pensar que os amuletos que os norte-americanos deveriam usar nesta época e que gradativamente foram substituídos pelo comércio e pela apologia à obesidade, não os protegeram da chegada da grande nuvem de bruxas ou maus espíritos, que com seus ventos assustadores e chuvas torrenciais, deixaram milhões no escuro, sendo obrigados a ouvirem a própria voz interior.

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