Vanessa Mazza


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Nada dura para sempre

Vanessa Mazza 23 de maio de 2012

Um dos grandes temas da carta A Roda da Fortuna é a constância da mudança, o movimento perpétuo da roda que em determinados momentos está no auge (acima) e que em outros tantos, está na depressão (abaixo). Tal como no símbolo do Yin e Yang, essa cadência faz parte de tudo aquilo que é vivo, pois, como poderemos nascer, crescer e morrer, renascendo novamente, se não houver esta mudança? Como poderão os planetas e as espécies se formarem? Como as plantações poderão surgir através de uma simples semente?

Olhe a sua volta, tudo se movimenta o tempo todo. E existe um motivo para isso, que é a necessidade de renovação. Muitas vezes, quando vemos algo ruim acontecendo, logo nos lamentamos, pois gostaríamos que a felicidade fosse eterna, assim como nossa beleza e juventude. Tomemos o caso de um vulcão em erupção, por exemplo. Ele vem sem aviso e tudo destrói e queima com suas lavas. É uma grande lamentação, afinal, todo aquele campo, aquelas pessoas e animais sumiram. Mas, eis que de repente, quando as lavas se secam e o tormento passa, aquela terra volta a mostrar sinais de vitalidade e, melhor ainda, está agora muito mais fértil do que antigamente. Quem olhasse aquele campo, novamente repleto de flores, animais e pessoas, veria uma beleza muito maior do que a anterior. Ou seja, sem morte, não há vida. Sem fim, não há novos começos, sem a escuridão, não é possível entender a luz.

Então, por que nos apegamos tanto àquilo que deve morrer – e me refiro a tudo, desde nosso ente querido, até uma situação profissional, um sentimento ou uma ideia – se este é movimento natural de todo o Universo?

Penso que é porque tememos a mudança, já que ela implica abdicar de todo controle. Porém, por mais que tentemos prever, nunca conseguiremos antecipar os movimentos da Terra, ou de outras pessoas ou de nós mesmos. Então, se analisarmos bem, por que continuarmos tentando controlar se isto é inútil? E, se o esforço é inócuo, por que temer o desconhecido?

Esta é a grande verdade: nada dura para sempre. O que permanece é o movimento da energia vital que preenche o Universo e que muitos chamam de Deus. Parte dessa energia somos nós, que vamos nos renovando muitas e muitas vezes em direção ao Infinito.

Se não houvesse essa reciclagem, tudo seria muito frio e estável demais como as flores de plástico que nunca morrem, mas também não exalam cheiro, ou as estrelas do céu sempre na mesma posição, ou ainda um dia sem noite ou vice-versa. Além disso, o Sertão nunca será mar e onde é frio, nunca verá o sol. Não teria muita graça, não é mesmo?

Portanto, renove-se, aceite a mudança, desapegue-se e continue. Esse realmente é o curso natural de todas as coisas.

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