Vanessa Mazza


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A trave no nosso olho

Vanessa Mazza 21 de maio de 2012

Pelo menos há 2 mil anos se vem repetindo o famoso dito, hoje já tão popular, de que antes de observarmos o defeito (ou a imperfeição) no outro, devemos repará-la em nós mesmos.

O que fica bastante evidenciado é que, apesar desta ser uma ideia tão amplamente difundida, até porque o cristianismo é uma das religiões mais importantes e atinge tão diferentes áreas no território mundial, não se pratica ou pelo menos não se parece haver muito esforço por parte das pessoas em levar este ensinamento da letra ao seu cotidiano diário.

Proponho então a seguinte pergunta: Por que temos tanta dificuldade em aceitar o próximo exatamente do jeito como ele é? Sem julgamentos, sem opiniões pré-concebidas, sem restrições, sem desconfianças? Por que negamos a imperfeição do outro se nós somos tão ou mais imperfeitos?

Acredito que tudo resida no fato de não aceitarmos a nós mesmos como seres inferiores ao nosso próprio ideal.

A maioria de nós tem um ego tão inflado que não admite ver em si mesmo tantas mazelas que nos deixam horrorizados quando observadas no comportamento dos outros. É como se estivéssemos cheios de chagas, chegássemos em frente ao espelho e não conseguíssemos entender que aquelas deformidades são nossas, que aquele rosto destruído nos representa.

De todo jeito, nossos companheiros de existência também têm a mesma dificuldade que nós e por isso, ficamos nos acusando, apontando defeitos um no outro, criticando, julgando, estabelecendo comparações de modo que parecemos estar sempre muito acima deles, quando na verdade estamos todos juntos, no mesmo patamar, enfrentando as mesmas questões, as mesmas dúvidas, sentindo as mesmas dores.

Sei que é difícil reconhecer os monstros internos que habitam dentro de nós: orgulho, vaidade, cobiça, inveja, ira, vícios de toda sorte, escapismos, infantilidade… É vergonhoso admitir que somos imperfeitos. Porém, se não aceitarmos quem somos, nunca poderemos aceitar o outro e, sem essa união, como poderá haver paz de fato sobre a Terra?

Por isso, toda vez que enxergar defeitos nos outros, pare e pense que esses mesmos defeitos são apenas aspectos de sua própria personalidade e, antes de acusar ou criticar, volte sua atenção para si e corrija-se. Assim, a tendência é que você passe a ver o que as pessoas têm de bom para oferecer.

Portanto, tire a trava do olho. Para ser perfeito é preciso curar as imperfeições e a limpeza começa dentro de cada um de nós.

NO TARÔ

Ninguém melhor do que o Pagem de Espadas para representar toda esta crítica que se recusa a olhar para si mesma.

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