Vanessa Mazza


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A tristeza nos isola e a alegria nos conecta

Vanessa Mazza 20 de maio de 2012

Tantos séculos de educação católica massiva e mesmo de outras religiões monoteístas, nos fizeram colocar Deus acima de todas as coisas, num lugar perdido no meio do céu ou do espaço. Quando dirigimos nossas orações, olhamos para cima, como querendo entrever Sua imagem ou apenas um sinal de que estamos sendo ouvidos.

Porém, uma frase da Bíblia sempre me chamava a atenção: Deus está em cada um de nós e em todos os lugares. Eu me perguntava como isso era possível. Acreditava sim que Deus é onipotente, onisciente, onipresente e soberano, mas não conseguia conceber como um Deus que está em algum lugar do espaço, poderia saber o que ia na alma de todos os Seus filhos, além de conseguir controlar todas as ferramentas do Universo.

Foi então que, após muito ler e ouvir e pensar, conclui que aquilo que chamamos de Deus, que criou todas as coisas e que é este ser supremo de bondade e amor não poderia ser como nós. Ou seja, não poderia ter a mesma matéria e obviamente não deveria estar limitado a um espaço circunscrito.

Entendi que Deus é como uma energia que preenche todo o Universo. Dessa forma, Ele está em todas as coisas e dentro de cada um de nós, pois estamos mergulhados Nele, O sentimos constantemente pulsando em nosso centro, porque somos parte Dele, e Ele é sinônimo de Vida.

Da mesma forma, todos os seres humanos deste planeta estão interligados. O quanto há de nós em cada um e vice-versa? E o quanto de influência externa não assimilamos e depois passamos para frente?

Essa constatação me deixava constantemente deprimida. Como era possível o isolamento, a indiferença, a individualidade nascida do egoísmo, se estamos todos conectados e somos habitantes do mesmo lar? Se a vida de todos depende de nossas ações e palavras (pois sim, nossos atos e mesmo as abstenções provocam reações em cadeia que a todos afeta)?

Então compreendi que apesar de continuarmos conectados na prática, só sentimos as graças dessa união quando estamos felizes, abertos, dispostos. O mundo nos sorri e nos derrama graças e generosidade quando nos sentimos ligados a cada ser humano. Quando nos isolamos – e só nos isolamos quando somos infelizes – perdemos esta conexão. Ficamos sombrios e temos ainda mais motivos para acreditar que a conexão não vale a pena, já que nos sentimos injustiçados e abandonados.

Usando uma metáfora bem simples: estar feliz é como ter banda larga, onde tudo flui com rapidez, a quantidade de contatos é maior e as facilidades da vida prática também. Já estar triste é não possuir internet, ficando isolado do resto do mundo, tendo que fazer tudo do jeito mais trabalhoso.

Sabendo disso, vamos deixar cair esta armadura da individualidade que supostamente nos protege e vamos nos abrir para o mundo, vamos nos conectar com as outras pessoas. Se todos estivessem assim, em harmonia, não haveria necessidade dos vícios que apenas servem para nos compensar do vazio que sentimos, assim como da violência, explosão da nossa revolta por nos sentirmos sozinhos e injustiçados.

Ao invés de chorar no dia de hoje, lembre do que o faz sorrir.

Conecte-se!

NO TARÔ

Quando penso em conexão e em desconexão, me lembro do 5 de Ouros de Waite – que mostra essa sensação de tristeza, doença, pobreza que temos depois que passamos muito tempo nos desacreditando – e também da carta do Mundo, do Zen Tarô, no qual o mundo é abraçado por todos nós.

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