Vanessa Mazza


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Somos todos políticos?

Vanessa Mazza 19 de maio de 2012

Sempre que pensamos em um político e o imaginamos em nossa mente, acabamos inevitavelmente associando sua pessoa a um determinado discurso. Independente de qual seja seu foco, os discursos de todos os políticos geralmente convergem para os valores morais da honestidade, do trabalho bem feito e do compromisso com a sociedade. Num palavreado bonito e convincente, nos deixamos levar pela suposta grandeza de suas almas e, estranhamente, ainda nos chocamos quando eles são pegos em situações evidentes de corrupção, principalmente porque eles se declaram, com a mesma veemência, inocentes de toda culpa.

Mas a questão que apresento hoje não se refere a esta pequena parcela da nossa sociedade. Refere-se a nós mesmos. Não seremos nós políticos também? Cheios de discursos belos, porém não praticados? Quantas vezes não erramos nesta vida e, quando confrontados, criamos mil argumentos para não só sair da situação de culpados, como ainda fazer o nosso acusador se sentir mal por ter sequer ousado duvidar de nós?Por que é tão difícil aceitar nossa própria fraqueza e admiti-la aos outros?

Penso que isso aconteça porque temos enorme vergonha e orgulho. Queremos poder ter o privilégio de errar sem platéia, mas ao mesmo tempo, queremos salvas de palmas toda vez que acertamos.

Sabemos muito bem que se admitirmos nossas falácias, nossos engodos, mentiras e falsidades – pois não há ninguém que realmente escape de praticá-las em maior ou menor grau – seremos duramente atingidos, criticados, oprimidos, pois existe esta necessidade no ser humano de um provar que é melhor do que o outro.

No entanto, a mesma pessoa que hoje acusa com tanta severidade e aparente dignidade, será a mesma que amanhã estará comendo um grave erro, e da mesma forma, se esconderá atrás de um discurso de nobreza.

Nós aprendemos a mentir para conviver em sociedade. Se não gostamos de alguém, não o dizemos. Se a pessoa desconfia e nos pergunta, nos fazemos de desentendidos. Retrucamos: “Você deve ter problemas para pensar que as pessoas não gostam de você” ou “Livre-se do sentimento de perseguição” ou ainda “Você acha que eu tenho tempo para ficar me preocupando com o que você deixa ou não de fazer?”. Pode ser que às vezes essas respostas transmitam a verdade, mas é bem provável que a pessoa de fato não goste da outra, o que faz com que ela deixe pistas bem claras por meio de suas atitudes e palavras o tempo todo.

Obviamente que o discurso sempre será bonito: “eu não desejo mal a ninguém”; “eu só quis ajudar”, “eu faço tanto para os outros e ninguém agradece”, etc.

Por isso, é importante que realmente avaliemos nossos discursos e o confrontemos com nossas ações, pois, se eles sempre forem contraditórios, poderemos pensar que estamos enganando os outros, ou escapando de represálias, mas no fim, nada aprendemos com isso, não nos tornamos melhores e a energia que transmitimos nos entrega constantemente. Não seremos nunca confiáveis de verdade se não pudermos ser transparentes. E pior, nunca teremos paz de espírito, pois, se repetirmos um discurso vazio, que não é praticado, nossa fé no mundo e nas pessoas tenderá a sumir e acabaremos nos tornando o oposto de nossos discursos.

Vamos ser puros e abandonar os discursos. Antes sermos silenciosos trabalhadores, do que falantes inúteis e hipócritas. Que os políticos também aprendam essa lição.

NO TARÔ

Como bem lembrou uma amiga, esse comportamento sinaliza bem o ar “duas caras” do 7 de Espadas do Zen Tarô, que nos pergunta se vale à pena usarmos máscaras ao invés de revelarmos nossa verdadeira face.

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