Vanessa Mazza


0

Você quer mesmo o sucesso?

Vanessa Mazza 18 de maio de 2012

Por mais que isso possa chocar algumas pessoas, se formos observar a maneira como a maioria de nós se comporta frente à vida, assim como nossas reações, pensamentos, atitudes e crenças, veremos que de fato, mesmo que o discurso seja completamente o oposto, nós não queremos o sucesso.

Pois, se realmente o quiséssemos, agiríamos de acordo com nosso intuito. É como sentir fome, comunicar que se está com fome, observar que sobre a mesa existe comida e simplesmente fazer absolutamente nada para se alimentar.

Quase todos nós desejamos mais da vida do que possuímos no presente. Queremos ser mais bonitos, mais magros, mais divertidos e interessantes, talvez até mais populares. Queremos ter mais dinheiro, meios de executar projetos e sonhos muito acalentados por anos a fio. Queremos inclusive nos tornar seres humanos melhores e muitos de nós ainda desejam a iluminação espiritual.

Porém, a pergunta que permanece latente é: por que somente alguns de nós conseguem o que querem? Será que é por sorte, acaso? Porque tiveram patrocinadores ou vieram de famílias ricas? Ou pior, porque se utilizaram de meios ilícitos e até mesmo imorais para consegui-lo?

Independente de qual tenha sido o meio, já que cada um será julgado pela sua própria consciência, o que leva as pessoas a conseguirem o que querem, obviamente não pode ser o acaso, pois não existe inteligência no acaso. O que leva as pessoas ao sucesso é seu querer firme de obter sucesso. Alguns se utilizam de meios honestos, outros de meios desonestos, mas o que existe no fundo deles é a vontade e a confiança de que não terão menos do que desejaram.

Mas então, todos se questionam: ora, eu não desejo o sucesso todo dia?

Existe uma diferença significativa entre desejar e realmente querer. Quem quer, realiza, quem deseja, apenas sonha.

Os motivos que geralmente se escondem por trás dessa apatia e falta de ação encontram-se na inadequação emocional, que muitas vezes não percebemos.

Por exemplo, uma pessoa que quer ser famosa sabe que se um dia alcançar o que deseja, terá que fazer sacrifícios que teme intimamente: como a perda de privacidade, a injúria feita por jornais sensacionalistas, a carga de trabalho alucinante (entrevistas, viagens, etc), pessoas falsas, talvez a solidão, a predisposição ao vício, entre tantos outros. É evidente que a pessoa quando fala em ser famosa, visualiza apenas o lado positivo, concentra-se nele. Porém, como emocionalmente está desconectado de seu desejo, pois não se sente preparado para viver tal vida, essa pessoa passa toda sua existência se lamentando porque nenhuma de suas atividades a levam ao estrelato, apesar dela arduamente tentar, se esforçar e fazer os contatos necessários.

O mesmo ocorre com alguém que tenta emagrecer. Ser magro na nossa sociedade atual é obter favores, ser desejado, não passar despercebido, ser assediado na rua, chamar atenção para si mesmo o tempo todo. Se o indivíduo que tenta obter o corpo perfeito, for alguém que gosta de ser discreto, que teme sempre por sua segurança quando anda na rua (no caso das mulheres), que não gosta de ter um monte de gente por perto, assediando, vai automaticamente boicotar seu intuito.

Assim é com aqueles que querem enriquecer. Ser rico é ser visado por seqüestradores, é ter que investir muito em segurança, é não poder se expor como um ser humano comum, é alguém que pode estar cercado de pessoas não confiáveis e que tem o destino de muitas pessoas em suas mãos (no caso de grandes empresários). Ser dono de uma fortuna é ter a enorme responsabilidade de não só tomar decisões importantes todos os dias, que afetarão a sociedade, como também é ter o dever moral de distribuir sua riqueza em pró da justiça e do desenvolvimento humano. Será que a pessoa que deseja enriquecer, mesmo em menor grau, quer de fato “pagar o preço” por isso?

Nós, seres humanos, temos a tendência ao mínimo esforço, a nos acomodarmos por questões de segurança. Mesmo que estejamos sofrendo, preferimos esta realidade que conhecemos e na qual tantos conhecidos nossos estão imersos, pois tememos o desconhecido, o que para a maioria de nós, significa ser feliz.

Tememos ser felizes por não saber lidar com a felicidade.

O interessante é saber que nosso destino é esse. É para lá que todos nós caminhamos. E todos nós merecemos a felicidade. Basta querer de verdade. Basta assumir responsabilidades, correr riscos, pois é assim que se evolui. Com certeza os navios ficam mais seguros quando presos ao porto, porém, quem admira um navio que nunca singrou os mares? Que nunca visitou novas civilizações? Com certeza ele terá encontrado tempestades, poderá ter sido abordado por piratas, mas é da somatória dessas experiências que ele conquista sua glória e seu valor.

Vamos jogar a âncora fora e ir em direção de nossos desejos, ao invés de ficar imaginando como seria se partíssemos.

Tags deste artigo: , ,

Deixe um Comentário

Login to your account

Can't remember your Password ?

Register for this site!