Vanessa Mazza


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Lidando com o fim

Vanessa Mazza 23 de novembro de 2011

O fim geralmente parece assustador, principalmente porque estávamos muito apegados aquilo que neste momento termina. Pode ser tanto um conceito, uma ideia, um sonho, quanto um relacionamento, um trabalho ou mesmo uma vida. Na essência, pouco importa o que seja, pois nossa dor é geralmente muito semelhante e lidamos com ela de forma parecida.

Aceitar o novo de braços abertos, sem medo de deixar o passado e o velho irem embora, costuma ser desafiador, até porque é nosso hábito nos culparmos ou nos sentirmos vítimas pelo que aconteceu. Sem paz de espírito, como se libertar? Como voltar a sermos felizes? Será que o simples fato de não aceitarmos a dor como algo natural já não nos diz que nunca fomos felizes?

Ser feliz é mais do que simplesmente dar risada ou sorrir por aí. Ser feliz é ter calma, é se sentir bem e grato, é ter equilíbrio emocional, fazer o que ama, saber qual é o sentido da sua vida e, claro, aceitar o que a vida traz, nos adaptando, aprendendo e superando. Por isso que, quando algo termina, as pessoas que são felizes passam por isso com serenidade e se tornam ainda mais sábias e profundas. Quem, por outro lado, é infeliz, se culpa, rejeita a perda e luta contra ela, se sentindo mal consigo mesmo ou ficando contra a vida.

A vida é feita de ciclos. Nós nascemos e morremos como tudo o que conhecemos. As situações se alternam. Mesmo vivos, deixamos morrer a criança para sermos jovens e depois permitimos que o filho em nós se despeça para que possamos assumir o papel de pais. Portanto, como seria se ficássemos tão apegados a ponto de nunca deixar nenhuma dessas fases morrer? Como seria nossa vida e aprendizado se não pudéssemos substituir crenças velhas e negativas por outras que nos beneficiam mais?

Aceite o fim, seja ele qual for e tenha a esperança de que ele pode proporcionar renovação e até novas versões. Às vezes é só quando um casal se separa que o amor volta a nascer entre eles. É na morte de um ente querido que muitos desafetos se resolvem e se perdoam. É no fim de uma ideia errada que nossa vida começa a dar certo. Na Natureza o mesmo ocorre. As terras mais férteis não são justamente aquelas em que tempos passados foram arrasadas pela lava de um vulcão em irrupção?

Abrace o novo com a mesma alegria e gratidão que você deixa o velho ir embora. Só assim você estará nadando no fluxo da vida, onde nada vem contra você, apenas a seu favor.

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