Vanessa Mazza


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Mal-dita ansiedade

Vanessa Mazza 26 de setembro de 2011

Como o excesso de ansiedade pode lhe tornar mal-educado e inconveniente

Define-se ansiedade como um comportamento nascido da falta de confiança, seja em nós mesmos, seja nos outros ou mesmo na vida e no futuro. Afinal, se desconfiamos o tempo todo que alguma coisa ruim ou que não queremos vá acontecer, logo começamos a querer controlar o processo, adiantando etapas, atropelando pessoas e ficando alertas, num estado de antecipação angustiante de coisas que não necessariamente irão ocorrer. E, mesmo que aconteçam, os detalhes geralmente nos pegarão desprevenidos, nos tornando ainda mais ansiosos à próxima etapa. Pois, se não conseguimos prever direito a primeira, teremos a tendência a nos tensionar ainda mais em relação à próxima.

Se a ansiedade fosse algo que apenas nos perturbasse e não gerasse ondas de impacto na vida alheia, o ansioso poderia se contentar a conviver com este defeito. O problema está que todo ansioso contagia negativamente o ambiente em que vive, pois, ao não confiar em si mesmo, chamará o tempo todo atenção para si; por não confiar nos outros, ficará cobrando e exigindo; por não confiar na vida, reclamará de tudo e, por fim, por não confiar no futuro, não se engajará em nada com verdadeira devoção, deixando de ser alguém com que os outros possam contar.

Mas não se engane se você acha que está livre deste perfil. A ansiedade pode aparecer também em pequenas doses, em comportamentos mais sutis e ditos “normais”. Por exemplo, manifesta ansiedade quem:

– não tem paciência de esperar o outro para começar a comer, porque a comida pode esfriar;

– não consegue deixar um chocolate para comer mais tarde, quando realmente tiver fome;

– vê uma pessoa saindo, conversando ao telefone ou com alguém, lendo e mesmo assim precisa interromper para perguntar algo;

– não espera alguém sair do banheiro ou terminar de almoçar para passar uma tarefa ou informação;

– precisa ter certeza de que horas a pessoa vai voltar, antes mesmo dela sair;

– já planeja o jantar enquanto está almoçando;

– precisa confirmar várias vezes o horário de um compromisso;

– fica beliscando a comida na cozinha antes de ela ficar pronta;

– abre o presente de Natal ou o Ovo de Páscoa antes das datas oficiais;

– chega cedo demais aos compromissos;

– liga várias vezes para alguém só para se certificar de que está onde disse ou para que não se esqueça de sua existência;

– confere o site de resultado seja de loto, de concurso, várias vezes, mesmo sabendo que só será atualizado no dia seguinte;

– precisa saber o sexo do bebê, porque já quer comprar o enxoval e deixar o quarto montado no terceiro mês de gestação;

– não deixa uma pessoa terminar seu raciocínio, pois já formulou uma resposta na cabeça e precisa falá-la o quanto antes;

Desse modo, seja você o ansioso convicto que até perde o sono em vésperas de grandes eventos, que rói unhas ou tem hábitos compulsivos até o ansioso disfarçado, mas que mesmo assim invade a privacidade alheia, sendo inconveniente e mal-educado, é preciso aprender duas grandes lições: aceitação e confiança. De ambas nascem a tolerância, a fé, a compreensão, o perdão, a paz de espírito e a paciência.

Quer uma dica rápida? Aprenda a respirar e foque no presente. Sinta seus pés no chão. Veja como o tempo para quando relaxamos. Espere, mesmo que isso lhe angustie, mesmo que sinta desespero, espere. Melhores coisas virão àquele que sabe aguardar a hora certa de falar e de agir. No fim, só manifesta ansiedade quem está o tempo todo só pensando nas próprias necessidades. Quem partilha, quem ama, tem paciência. Lembre-se disso.

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