Vanessa Mazza


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Verdades que machucam

Vanessa Mazza 20 de maio de 2011

Não é à toa que as pessoas francas, que se posicionam claramente sobre os assuntos e que não hesitam em expor suas opiniões, mesmo que estas possam constranger e ofender, são aquelas geralmente vistas com antipatia por nós. Afinal, temos a tendência a desejar antes o afago, mesmo verbal, àquilo que possa nos fazer crescer ou que nos seja realmente útil.

É provável que por isso costumem dizer que nossos inimigos são os verdadeiros portadores da verdade. Afinal, eles nos apontam falhas de caráter e julgamento que nenhum amigo ou aliado conseguiria normalmente fazer.

Mas esta postura surge da onde? Penso que tudo resida no nosso amor-próprio, na nossa suscetibilidade, na nossa fragilidade imposta pelo ego. Eis aí porque surgem perguntas incômodas, tais como:

  • Se não disserem o tempo todo que somos bons, inteligentes, belos ou importantes, significa necessariamente que não o somos de fato?
  • De onde vem esta necessidade de auto-afirmação?
  • Por que colocamos tanto valor nas opiniões alheias, se na maioria das vezes, essas mesmas pessoas são julgadas negativamente por nós mesmos?

APRENDENDO A ACEITAR A VERDADE

Nestes momentos, é importante não perder de vista a perspectiva correta das coisas, muito menos a lucidez. Se nos iludimos é tão simplesmente pelo fato de desejarmos muito ser iludidos.

Há quem rebata a frase anterior, com seu mecanismo de defesa já ativado, querendo se enganar ao fazer pensar que diz constantemente a verdade. É certo que podemos afirmar que na maioria do tempo o fazemos, porém, dificilmente para nós mesmos.

Aceitar a verdade, principalmente aquela que nos machuca, exige de nós muita maturidade e principalmente extrema humildade. Ter coragem de admitir quem somos e o que fazemos quando não existe nada de louvável a respeito, não é só difícil. Também nos obriga a sufocar o ego, a extirpá-lo.

Entretanto, como é muito mais fácil ignorar o problema e continuar adiante, fingindo que não é conosco, repetindo como um mantra que quem realmente tem problemas ou comete erros são os outros, a verdade permanece oculta e por isso, mal-aproveitada.

Enquanto os elogios lhe mantêm parado no tempo, acomodado, preguiçoso e egocêntrico, a crítica lhe sacode, mexe com seus brios. A crítica lhe enche de poder: o poder da escolha e da oportunidade de ser melhor, de ser diferente daquela imagem negativa a seu respeito que hoje se apresenta.

Da próxima vez que alguém disser a verdade, sorria e agradeça. É um presente. Cabe a você utilizá-lo com sabedoria, de modo a nunca mais precisar dele.

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