Vanessa Mazza


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Não somos vítimas

Vanessa Mazza Furquim 7 de maio de 2010

Enquanto acreditarmos que não temos poder, não evoluiremos

Este tema costuma ser muito polêmico, porque é muito difícil explicar porque uma criança aparentemente inocente possa sofrer abusos ou porque pessoas tão bem-quistas, possam sofrer acidentes e perderem a vida. De fato, não existe uma resposta fácil para tudo isso, mas, ao mesmo tempo, existe o poder da escolha.

Como precisamos ter coerência em tudo aquilo que fazemos e também acreditamos, não dá para mudarmos de pensamento de acordo com as circunstâncias só porque não queremos fugir aos lugares-comuns. É preciso ser exato, seguindo um caminho ou outro.

No caso da vitimização, isso se torna muito evidente. Quando acreditamos que toda ação gera uma reação de mesmo grau e intensidade e sabemos que o livre-arbítrio existe, estamos dizendo para nós e para outros que não acreditamos em vítimas, pois ser vítima significa sofrer uma ação da qual não temos nenhuma responsabilidade e, se nada podemos fazer para impedi-la, então estamos sob o domínio do destino e não mais de nosso livre-arbítrio.

Porém, o que acontece é que quando uma situação nos causa embaraço, tentamos nos apresentar como vítimas e quando estamos no controle da situação, falamos sobre livre-arbítrio. Esta constatação é bastante incômoda, pois percebemos o quanto podemos mentir para nós mesmos no nosso dia a dia.

Por outro lado, imaginar que vivemos num mundo sem lei, cheio de vítimas atingidas por acaso, me parece muito sofrível e desesperador. Afinal, esta energia a que muitos chamam Deus não pode ser tão indecisa a ponto de dar livre-arbítrio a uns e o acaso a outros.

Independentemente de qual seja sua linha, é importante entender que o que defendo, além da coerência de pensamento e ação, é que a compaixão continue a existir sempre, mesmo que você acredite ou não em vítimas. O que não pode haver é pena, o famoso “passar a mão na cabeça” que nada resolve.

Portanto, toda vez que um ato ruim acontecer, além de restabelecer a ordem, precisamos encorajar as pessoas (as ditas vítimas) a superar seus próprios dilemas e dificuldades, para que elas possam sair do medo, da tristeza e da dúvida, mais fortes.

Afinal, que mundo estaremos ajudando a construir se vivemos presos num pensamento vitimizador em que os culpados são sempre os outros e nossa função na vida é apenas o bem-sofrer?

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