Vanessa Mazza


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Na vida é preciso um pouco de tolice

Vanessa Mazza 21 de janeiro de 2008

Um das cartas mais emblemáticas do Tarô representa também um dos personagens mais misteriosos e multifacetados deste oráculo e de qualquer baralho comum de cartas. Ele é o curinga, o bobo da corte, o louco, o tolo, a eterna criança.

Visto geralmente como alguém inconseqüente e irresponsável, o Arcano Maior de nº. 0 ou 22, que indica tanto o início quanto o final da trajetória humana, representa aquele sentimento em nós de ir além do conhecido, de ultrapassar fronteiras, de simplesmente encarar a vida como uma criança, cheia de pureza, dando a tudo um significado totalmente novo e belo, sem a malícia que a maturidade com certeza a tudo impregna.
Tarô Mitológico

Ser tolo é algo muito condenável pela nossa sociedade. Como pode, afinal, uma pessoa perdoar outra tantas vezes sobre o mesmo assunto e mesmo assim, continuar confiando nela? Como pode alguém acreditar que tudo dará certo, apesar de existirem somente provas ao contrário? Enfim, como pode alguém ter uma perspectiva tão alegre da vida, quando existem tantas misérias e tanta dor?

Assim é o Louco, este ser um tanto infantil, um tanto maroto, como um espírito amoral da Natureza, que quer brincar, sem se pegar a nada, sem ter a pretensão de controlar o universo, a vida e as pessoas, sem desejar ter garantias sobre tudo antes de dar o grande salto no precipício. O Louco certamente não fica imaginando o que deve ter do outro lado. Ele simplesmente dá o primeiro passo e descobre por si mesmo.

Tarô CósmicoA grande lição deste Arcano para nós é, portanto, aprender a viver de forma livre, sem nos impor barreiras, sem assumir responsabilidades que não são nossas. Ele nos incita a ter coragem, a nos arriscar e confiar sempre no melhor. Ele fala que devemos sentir a vida pulsando em nós com alegria, compreensão, perdão e principalmente, aceitação.

Aceitar a vida é coisa dos tolos… não é o que dizem ao nosso redor? Que temos que lutar o tempo todo, exigir mudanças, controlar os acontecimentos. Só que no fim, isso só nos deixa exaustos, inconformados, depressivos. Será mesmo esta a melhor forma de lidar com os desafios da vida? Ou deveríamos ser mais despojados, tal como o Louco, que anda pelo mundo sem nenhuma bagagem, sem nenhum livro de regras e conhecimentos preestabelecidos para guiá-lo?

Ser tolo também significa aprender a estimar a si mesmo, do jeito que se é, e a caminhar pelas próprias pernas, indo para onde a correnteza quiser nos levar, sem controle, sem desconfianças e sem medo. Afinal, Deus nos criou, como a tudo mais, para expandirmos nossa particularidade, para sermos, enfim, únicos.

Saia pelo mundo então – liberte-se das correntes que lhe aprisionam, sejam elas os sentimentos da culpa, o medo de ficar sozinho, a desconfiança que nos faz pensar que seremos machucados a qualquer instante – e permita-se sonhar!

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